1ª Conferência Nacional de Saúde Ambiental

23/11/2009 at 11:09 pm (Eventos e Notícias)

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A ação humana sobre a natureza tem causado impactos cada vez mais graves sobre a saúde humana e os ecossistemas do planeta. Associada a um panorama de desigualdades sociais e econômicas, a degradação ambiental aponta para conseqüências que já vivemos no presente: o esgotamento dos recursos naturais; os processos acelerados de desertificação; a intensificação de eventos climáticos extremos; a crise urbana relacionada à carência de serviços de saneamento básico, habitação, transporte e segurança pública; poluição química de ambientes urbanos e rurais; e a emergência e reemergência de doenças.

Estes problemas são interdependentes, seus impactos vão além das fronteiras locais e seus efeitos são produzidos e sentidos pelas populações. A busca de soluções para este quadro diversificado requer a formulação e gestão de políticas públicas interdisciplinares, integradas, intersetoriais, participativas e territorializadas. Neste sentido, surge a 1ª Conferência Nacional de Saúde Ambiental, a ser realizada em três etapas (municipais, estaduais e nacional), tendo como tema “A saúde ambiental na cidade, no campo e na floresta: construindo cidadania, qualidade de vida e territórios sustentáveis”.

A 1ª Conferência em Saúde Ambiental é uma iniciativa dos Conselhos Nacionais de Saúde, Cidades e Meio Ambiente atendendo às deliberações das Conferencias Nacional de Saúde (13ª), Cidades (3ª) e de Meio Ambiente (3ª). Instituída por meio de Decreto Presidencial, tem como lema: “Saúde e Ambiente: vamos cuidar da gente! e como tema “A saúde ambiental na cidade, no campo e na floresta: construindo cidadania, qualidade de vida e territórios sustentáveis”.

As etapas municipais serão realizadas até o dia 30 de agosto e as estaduais e do Distrito Federal até 30 de outubro. A etapa nacional da 1ª CNSA ocorrerá em Brasília-DF, de 9 a 12 de dezembro de 2009.

Maiores informações: http://189.28.128.179:8080/cnsa/front-page

 

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Estarão preparados os LGBT para politizar as Mudanças Climáticas Globais?

19/11/2009 at 11:13 pm (Minhas Reflexões e Pensamentos)

Foto:  Sandra Michelli (interação atmosfera-hidrosfera-percepção eco-queer)

Dedico este post à querida irmã negra, lésbica, feminista e eco-queer, Tate Dissonate ( http://paradalesbica.com.br/category/colunas/tate-cotidiana/), que num momento especial de minha vida tive a oportunidade de conhecer e que neste mágico (re)encontro me introduziu na poesia de Audre Lorde.

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Ultimamente tenho me perguntado sobre como tem sido possível fazer uma discussão e atuação política LGBT desconectada de grandes questões globais, tais como o sistema econômico mundial, a globalização, o multiculturalismo e as mudanças climáticas. Como me alertou uma amiga lesbiana, talvez apenas uns 18% da militância LGBT no Brasil tem se preocupado com o assimilacionismo e em reconstruir uma militância que seja anti-capitalista, anti-especista, anti-racista e assim por diante.

Ontem estava vendo a Secretária de Mudanças Climáticas e Qualidade Ambiental do Ministério do Meio Ambiente, Suzana Kahn Ribeiro, na TV Brasil debatendo com vários pesquisadores e personalidades envolvidas nesse tema. Tive a impressão que a forma como os governos mundiais estão tratando esta questão não levará a contenção do problema. Também ontem, e hoje, esta circulando uma fala do Dalai Lama afirmando que a velocidade com que os políticos estão negociando a resolução do problema é muito mais lenta do que a velocidade com que os problemas estão se agravando.

O fato é que o aumento dos níveis dos mares associado a maior incidência de eventos climáticos extremos sobre os continentes, tais como chuvas, raios, trovoadas, furacões e secas, por exemplo, promoverá a intensificação de PROCESSOS MIGRATÓRIOS em todo o planeta. Isto trará impactos profundos na organização social, levando a desestruturação das redes de relacionamentos interpessoais. Este processo de desorganização social fará com que as redes de relacionamento e suporte emocional entre LGBT sejam cada vez mais fragilizadas.

Neste sentido, se já é tão difícil organizar minimamente grupos de suporte emocional e existencial para nossas vidas, e para lutar pelos nossos direitos, então o que acontecerá à nossas irmãos e irmãs LGBT com a intensificação desses processos migratórios? Além disso, com a dispersão teremos pelos menos 3 processos homofóbicos em curso: (i) a nossa própria bandeira de luta pode passar a ser pulverizada, (ii) reificada a força da família heteronormatizada sustentada pela tradições cristãs fundamentalistas, e (iii) emergirem crescentes ondas de violência física contra nossa gente.

Assim, precisamos cada vez mais criar SENTIMENTOS DE PERTENCIMENTO a uma COMUNIDADE DA DIFERENÇA e às nossas CONDIÇÕES MATERIAIS DE EXISTÊNCIA – e politizar ambos, rumo à SODOMA e GOMORRA. Aqui várias possibilidades de modelos de comunidades poderão ser estruturadas em novos territórios: comunidades lesbianas, comunidades gays, comunidades queer e assim por diante, tal como as comunidades separatistas lésbicas na região rural de Oregon ou os diversos grupos de Radical Faeries espalhados pelo mundo.

Creio que deveria ser função do Estado e do movimento social começar a mapear quais os municípios e localidades no Brasil que deverão ser primeiro afetados e começarmos a fazer um esforço para reorientar nossas políticas, focando no suporte às pessoas LGBTs destas localidades. É necessário criar mecanismos de aglutinação e intensificação das redes de suporte mútuo e também um planejamento rumo a constituição de comunidades da diferença (ECOVILAS QUEER? ou QUEERLOMBOS?) nas áreas rurais de outros municípios menos vulneráveis aos impactos das mudanças em curso (CARTOGRAFIAS QUEER?).

Embora possamos questionar os estudos científicos que suportam as explicações sobre o que esta acontecendo com o planeta, entendendo que são totalitários ou muito controlistas, os mesmos podem ser subvertidos. Não pela negação dos fatos – que estão nítidos e crescendo em intensidade e frequência a cada dia – mas pela reorientação de nossas políticas e formas de organização social LGBT.

É verdade que as explicações sobre as CAUSAS DO AQUECIMENTO podem ser questionáveis e manipuladas pelo totalitarismo heteropatriarcal, mas também precisamos lidar com os fatos, independente de suas possíveis explicações causais. Mesmo os cientistas não são unânimes sobre isso, e cerca de 5% deles não acreditam que tenhamos evidências científicas suficientes para afirmar que a ação antrópica seja o motor dessas mudanças. Para eles, as mudanças em curso fazem parte de processos históricos naturais pertencentes a grandes ciclos do próprio planeta.

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Derrubar o Mato é um ato fundante da Cultura Heteropatriarcal – e o início da deserotização e defeminilização da Natureza Queer

18/11/2009 at 12:06 am (Outros Textos)

Foto: Radical Faerie Digest

Acrescentaria ainda, a crítica de Tate Dissonante ao movimento negro e movimento feminista:

DESMATERIALIZAR O CORPO É UM ATO FUNDANTE DO RACISMO EPISTEMOLÓGICO – E O INÍCIO DA ESTERILIZAÇÃO E EMBRANQUECIMENTO DA NATUREZA NEGRA“.

Fonte: http://paradalesbica.com.br/2009/11/20-de-novembro-dia-da-consciencia-negra/

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Geografias Queer: Teorias Divergentes do Espaço Homoerótico para a Política, Planejamento e Modelagem Urbana

11/11/2009 at 1:54 pm (Traduções de Artigos)

Foto:  Gordon B. Ingram

INGRAM, Gordon Brent. Queer Geographies: Diverging Theories of Homoerotic Space of Urban Policy, Planning and Design. Quest Lecture at the Departament of Sociology, University of Amsterdam, 1999.– Clique Aqui

Traduzido por Sandra Michelli1 e Alice Gabriel2

Estou aqui para falar sobre os chamados “espaços queer” e mais especificamente as localizações físicas do homoerotismo e outras formas ainda marginalizadas de expressão sexual. Meu interesse neste tópico provém de minha atuação como um planejador ambiental particularmente preocupado com políticas, projetos, e as políticas econômicas associadas às redes de espaços públicos, incluindo parques e espaços abertos. Ao chegar num departamento de sociologia estando envolvido com alguns desses temas por mais tempo do que qualquer outro tópico do mundo, eu espero desvendar algumas das tendências que, ao longo das últimas duas décadas, levaram a uma associação apertada ou comprimida de atos, identidades e localizações. Eu venho a vocês com o seguinte argumento central:

1 – Parece ter existido várias formas de expressão do homoerotismo ao longo da história humana (que tem tomado o espaço como o sexo normalmente faz).

2 – Houveram várias formas de marginalização (de muitos daqueles atos, identidades, e locais) ao longo do tempo.

3 – E tem havido resistências a certas desigualdades através das identidades, formação de comunidades, políticas – mesmo a tomada consciente de espaços homoeróticos e queer e a criação de novos espaços – ao longo do tempo.

4 – Mas a convergência de atos, identidades, e a ocupação consistente e mesmo a reconstrução de espaços sociais tem sido desigual e inconsistente com formas apenas limitadas de “planejamento” através da resistência, políticas, intervenções civis, e design. Eu acredito que seja do entendimento desta miríade de formas de convergências parciais que surge a base para uma teoria crítica e finalmente útil de queers no espaçode compreensão dos espaços queer e não-queer dentro de amplas paisagens eróticas (e frequentemente misóginas e deserotizadas) do “público” e do “privado”.

5 – Os estudos gays e lésbicos, assim como a teoria queer, foram orientadas por um pequeno número ou formações consistentes de experiências homoeróticas (de atos, identidades e lugares). Mas para que as teorias do espaço queer, espaço homoerótico, queers no espaço, etc, sejam úteis, ao menos para o desenvolvimento político, planejamento urbano, e design, elas devem considerar estas zonas mais amplas do discurso social (e falta de discurso). Portanto, as teorias do espaço queer, caso elas evoluam nos próximos anos, criticarão os métodos de pesquisa anteriormente associados com os estudos lésbicos e gays e a teoria queer.

Este último ponto de meu argumento é o que me obriga a vir até vocês aqui hoje. Esta visita poderia ser até considerada por alguns como uma deserção da Teoria Queer, não que isso jamais abranja grande parte do que faço como um planejador ambiental. O meu campo, uma miscelânea de planejamento urbano e regional com arquitetura das paisagens e arquitetura convencional, utiliza mas não cria metodologias e teorias de pesquisa “puras”, tais como aquelas derivadas da sociologia. A contribuição de um planejador ambiental para uma bolsa de estudos sobre as condições sociais esta normalmente em misturar diferentes métodos em novas formas criativas e então aplica-las ao que Madonna chamou, a muitos anos atrás, de “o mundo material”. Mas claro que as formas como os seres humanos experienciam e negociam neste mundo material deriva de transações (através do espaço) que são melhor estudadas pela sociologia (e filosofia). Então, junto com o meu argumento em cinco partes citados acima, venho até vocês como um consumidor frustrado (no que Marshall McLuhan chamou, muitos anos atrás, de “a aldeia global”). A fim de compreender, de forma mais completa, como as minorias sexuais3 (auto-identificáveis e politizadas) e as pessoas exercem ou tentam exercem atos de homoerotismo marginalizado que tem impactos sobre as comunidades e seus respectivos destinos, preciso de uma nova teoria social. Como planejador ambiental, não sou nem treinado para criar esta teoria social (e métodos de pesquisa) e nem tenho tempo para isso – uma vez que estou ocupado desenvolvendo teorias de planejamento ambiental.

Atualmente, com um novo século que desponta, os membros das minorias sexuais estão sendo cada vez mais forçados a lidar com os detalhes do espaço social de forma mais precisa, mais teórica, e com maior rigor. E enquanto existir novas formas de guetos acadêmicos, tais como a teoria queer que é muito alojada e muitas vezes restrita aos departamentos de inglês, pouco das implicações radicais das teorias do espaço queer foram reconhecidas na política pública, planejamento urbano, e modelagem ambiental. A seguinte passagem de uma das discussões teóricas recentes mais importantes sobre este assunto, Evictions de Rosalyn Deutche de 1996, começa a lançar as bases para uma crítica das noções de espaço queer descritas inteiramente através de expressões culturais e aquelas sobre a cidade nas quais corpos homoeróticos específicos tem pouco impacto físico.

Formas espaciais são estruturas sociais… o Espaço, destacável por sua produção social, é, portanto, fetichizado como uma entidade física e sofre, através da inversão, uma transformação. Representado como um objeto independente, parece exercer controle sobre todas as pessoas que o produzem e o utilizam. A impressão de objetividade é real na medida em que a cidade é alienada da vida social de seus habitantes. A funcionalização da cidade, que apresenta o espaço como politicamente neutro, meramente utilitário, é então preenchido com a política. A noção de que a cidade fala por si esconde a identidade daqueles que falam por toda a cidade.”19964

Na revisão a seguir, ilustrarei vários aspectos de meu argumento em cinco partes. Então explorarei diferentes demandas práticas para as teorias dos queers no espaço (que abrange a teoria social para aplicações nas políticas urbanas, política e design). Então concluirei com um novo argumento de que existe um certo número específico de problemas e demandas as quais pessoas como eu e você, em nossos respectivos campos, precisamos resolver e que estas “questões” provavelmente orientarão e criarão muito da forma de quaisquer teorias dos queers no espaço que emergirá nos próximos anos.

Alguns argumentos sobre os queers no espaço

Muitas pessoas que são homoeróticas e que se identificam como membros das minorias sexuais5 ou que se identificam como queer” estão familiarizados em ter que compartilhar o espaço social com pessoas que são hostis ou que não são empáticas. Na maior parte do tempo, as minorias sexuais e os atos homoeróticos são raramente tolerados, se o são. Nas melhores situações, são oferecidas pequenas quantidades do espaço público6 para as minorias sexuais. Muitos de nós que temos organizado eventos políticos e culturais tivemos experiências curiosas acerca do uso dos espaços públicos e fomos informados de que havia um conflito local. Há, por vezes, aquele questionamento de porque muito desta falta de espaço público suficiente se deve à demandas dos outros, frequentemente grupos declaradamente heterossexuais, o quanto se deve ao fato de estar em posições minoritárias, o quanto se deve às minorias sexuais serem às vezes menos organizadas do que outros grupos sociais, e o quanto é devido a vitória da homofobia.7

Reconhecendo o espaço físico, as pessoas estabelecem a base para o seu mapeamento. Através do mapeamento mais preciso do espaço social, invariavelmente alteramos as formas com que o utilizamos, transformando-o. Processos de reconstrução, do que atualmente é algumas vezes chamado de “espaço queer”8, a “desagregação” de uma série de conceitos e estratégias sobre a rubrica de “queer”; entre o homoerotismo e as identidades homoeróticas e entre a marginalização de alguns grupos e estratégias de resistência e formação de aliança.

Muito do espaço social das sexualidades marginalizadas é e será público embora a natureza da acessibilidade para populações mais amplas varie e continuará a variar bastante. Para algumas poucas partes privilegiadas do mundo, esta discussão se destina a levar a uma maior faixa de desigualdades no espaço público, em torno da expressão e usufruto do homoerotismo e da dissidência sexual, pode parecer uma pequena retrospectiva. Mas para a maior parte do mundo, uma melhor identificação dos usos e a extensão do espaço social das minorias sexuais, será crucial para as novas estratégias para a equidade. Para aquelas pessoas que podem se dar ao luxo de se preocupar menos com a violência da homofobia do dia-a-dia, esta discussão diz respeito a definição de metas para a construção de novos tipos de espaços sociais. Mas para aqueles espaços sociais que estão continuamente vulneráveis à violência homofóbica junto com estado de repressão mais organizado, encorpora estratégias e histórias particulares de resistência9. A discussão de hoje é também sobre uma investigação daquilo que meu amigo do outro século, Carl Witman, denominou “construindo territórios livres”10.

A fim de começar a responder a “questão da arquitetura”, podemos também revisitar noções de espaço livre daquilo que Franz Fanon chamou, de passagem em seu tratado sobre descolonização, de “território homossexual11. Infelizmente, Fanon ele não considera tais espaços muito substanciais12 e ele próprio era homofóbico. Esta tomada de consciência e transformação do espaço social homoerótico, que no jargão pós-moderno esta agrupado sob o termo “territorialização”, foi reconhecido por séculos. Por exemplo, o termo “Sodoma” tem sido utilizado, frequentemente de forma negativa,para descrever a tomada de espaço e a criação de espaços homoeróticos que remonta a pelo menos o século dezesseis13. Nesta discussão, estou considerando lugares tão pequenos como os armários até aqueles que vão bem além de edifícios e paisagens, regiões metropolitanas e até contextos mais globais. Todas estas formas e aquelas que, invariavelmente, têm dimensões teóricas e culturais, assim como implicações para a política, design, e gerenciamento de lugares específicos.

Um argumento subjacente desta discussão é que uma ampla gama de percepções, idéias, e prioridades relativas às comunidades e os ambientes e regiões, nos quais estão situadas, são cruciais para “a construção de afinidades efetivas”14 para novas alianças queer. Uma extensão deste argumento é que sem uma teoria15 mais flexível para a resolução de questões relacionadas às comunidades e suas respectivas localidades, esforços para ampliar e fortalecer alianças, nestas condições pós-modernas16 associadas com uma instabilidade crescente e globalização do capital, que “privatiza o espaço público e publiciza o espaço privado”17 estão condenadas ao fracasso. A queeridade18 em todas suas diferentes formas está em um momento crucial no mapa do pensamento político e cultural neste fin-de-siécle. Dadas as contradições do atual período histórico, com novos ganhos e ainda novos ataques a redes e enclaves de minorias sexuais, teorias de sexo, comunalidade, o ativismo libertário nunca foi mais mal resolvido19. Na América do Norte, a trajetória da linha que liga o surgimento da Sociedade Mattachine, o Daughters of Bilits, as Revoltas de Stonewall20, o Gay Liberation Fronts, o feminismo lésbico, e mais recentemente o surgimento do ACT UP; Queer Nation, e Lesbian Avangers está nos levando para um novo território e espaço desconhecido.

A Teoria Queer21 do início dos anos 90, ao reconhecer esta trajetória do ativismo com suas implicações diretas nos espaços públicos e privados, começou a criar as bases para um quadro mais preciso para as economias espaciais e políticas das minorias sexuais. Mas atualmente esta teoria que esta baseada principalmente na literatura e outros estudos culturais está cada vez mais restritiva na compreensão das ligações entre as subjetividades individuais e o mundo material de contextos mais amplos. Enquanto a Teoria Queer reviveu um campo da geografia, com foco sobre as subjetividades tais como a sexualidade, as implicações para estudos mais agressivos das ligações entre os espaços físicos e culturas erotizadas, continua simplesmente faltando. Acredito que uma teoria dos espaços do homoerotismo e minorias sexuais é atualmente crucial para ampliar e diversificar os quadros de entendimento destes grupos. O espaço físico e a sua experiência, em termos subjetivos e coletivos, esta se tornando cada vez mais central para novas formas de de Teoria Queer que estabelece as bases para o ativismo. Seidman passou a vislumbrar:

uma cultura pós-moderna, [aonde] a antecipação do fim da dominação ou a auto-realização passa pelas lutas locais por democracia participativa, justiça social distributiva, escolha de estilo de vida, ou a reconfiguração dos conhecimentos.”22

Mas embora a Teoria Queer tenha reconhecido este novo mundo, com seus imperativos para o mapeamento de novas localidades, ela virtualmente não tem proporcionado nenhuma base teórica, com certeza nenhuma rigorosa, para acompanhar a sociologia, geografia e a formação espacial do “mundo material” homoerótico. De fato, a Teoria Queer, que está largamente baseada nas “leituras” de textos literários, têm frequentemente ofuscado estas relações materiais. O que então poderiam ser algumas teorias dos queers no espaço quando orientadas pela necessidade de entender como as relações sociais são formadas e e são reconstruídas através dos espaços habitados; se o longo eixo de tais modos de discurso e questionamento conectarem a sociologia e as decisões (socialmente enraizadas) sobre ambientes físicos?

Rumo às sociologias das arquiteturas das paisagens queer

A fim de melhor responder às necessidades de transformação do espaço social pelas minorias sexuais e atos sexuais marginalizados (inclusive através da política urbana, planejamento, e modelagem), existe um enorme número de de formas de comunalidades homoeróticas, “fenômeno” pode ser uma palavra viável aqui, que requerem estudos, comparações e análises cuidadosas. Os itens seguintes são apenas alguns exemplos do fenômeno sociológico relativamente inexplorado do espaço queer:

- Os chamados “guetos” gay (e alguns lésbicos) são pouco estudados, mesmo São Francisco, e as pesquisas que tem sido realizadas nesse locais poderiam ser totalmente compiladas e analisadas.

- Um número de questões básicas sobre a política econômica dos guetos gays poderiam ser exploradas com relativos custos, benefícios, e riscos (tais como da violência homofóbica).

- A presença e as operações sociais das minorias sexuais nos espaços que supostamente proporcionam alternativas aos guetos, tais como os subúrbios e margens, podem ser totalmente inventariados e analisados.

- Há uma série de questões mais amplas sobre o desenvolvimento desigual das economias sexuais do prazer através das áreas metropolitanas, a posição do homoerotismo em geral, e impactos específicos sobre a vida social dos bairros.

- Existe uma grande necessidade de estudos de caso e comparações dos padrões de uso e operações sociais em locais relativamente públicos queer tais como parques, praias, ruas, cafés, saunas, clubes, raves..23

- A importância relativa de tais locais públicos (e privados), que poderiam ser chamados de locais estratégicos24 para várias redes de minorias sexuais, inclusive em comparação a minoria que não são sexuais, é uma grande questão com implicações tanto para a sociologia, como para a política pública, e o planejamento e modelagem urbana.

- As relações entre a codificação, uso, e estética, particularmente em relação às demandas por formas específicas de modelagem para as minorias sexuais, tem sido pouco explorado.

- E de um ponto de vista político, ainda falta um quadro para o acompanhamento das desigualdades de forma mais precisa, e que levem em conta as implicações combinadas de gênero, etnia, linguagem, idade e localização, contra outras coisas. E quanto mais tempo este quadro demora a ser gestado, mais difícil será articular a política social para os vários grupos vulneráveis e sub-representados das minorias sexuais.

Estou certo de que para uma audiência na Holanda, a minha lista parece-lhe ser distintamente Norte Americana e o meu objetivo em iniciar esta lista é encorajar outros meios acadêmicos a continuar a desenvolver suas próprias agendas sobre a sexualidade e o espaço – e quando relevante iniciar iniciativas interculturais.

Rumo às arquiteturas das paisagens queer da sociologia

Diferentes escolas sociológicas e tratamentos podem produzir, ao longo do tempo e em combinação com as economias políticas e forças culturais, divergentes espaços de homoerotismo. Enquanto Amsterdam, Paris, e mesmo Roma agora, São Francisco e Vanvouver, para citar apenas alguns exemplos, possuem enclaves com muitas bandeiras do arco-íris e espaços similares (frequentemente com nomes parecidos), aquelas localidades são geralmente bem diferentes. E na medida com que cada uma destas comunidades de redes de minorias sexuais transformem os respectivos espaços urbanos, as divergências da teoria associada com cada iniciativa se tornará evidente. Assim, Vancouver tem sido fortemente transformada, dominada na realidade, pelo construtivismo como uma ideologia e por um tipo de “nacionalismo” queer que critica o nacionalismo e a experiência das minorias sexuais dos Estados Unidos, em geral. A ênfase muitas vezes tem sido sobre o “ghettobusting” e mesmo o deslocamento para os subúrbios e as zonas rurais. Vancouver (e Toronto) se tornou um destino para estes tipos de discursos e experiências. Em contraste, São Francisco possui um núcleo de acadêmicos dos estudos lésbicos e gays mais “essencialistas” que possuem diferentes relações para intervir no conhecido “gueto” e isto tem tido profundas implicações para a política urbana. E estas posições teóricas dizem pouco sobre a consciência subjacente da tomada do espaço e da construção de espaço em Amsterdam ou outras partes dos Países Baixos nem sobre as forças do tipo (euro)Disney que formaram o Marais de Paris como um enclave homoerótico. Todas estas posições teóricas possuem relacionamentos distintos com as várias posições feministas e com os relacionamentos entre os projetos de ativismo em torno do gênero, reprodução e sexualidade. A teoria social, e não apenas como podem sugerir abordagens culturais como a Teoria Queer confinada nos departamentos de idiomas Norte Americanos, terá um relação direta com a forma como os diferentes locais de grupos de minorias sexuais transformarão seus espaços sociais.

Conclusões: uma sociologia para tornar queer as teorias do espaço social

Como para fornecer a base para o monitoramento dos espaços das minorias sexuais, a Teoria Queer ainda não tem sido particularmente queer (ainda há tempo) e nem mesmo tem constituído nemesis, essencialismo. Na medida em que o debate construtivismo versus essencialismo se esgota, uma série de novas formas de olhar os relacionamentos e espaços sociais homoerotizados podem emergir. Se tentarmos criar uma teoria do espaço queer e dos queers no espaço, fundamentada nas necessidades de melhores caminhos para transformar nossas comunidades e espaço, o papel da sociologia (incluindo etnografias e mesmo estudos culturais) excede em muito as possibilidades da discussão literária. E as teorias sociológicas e os métodos de monitoramento das transações em torno do homoerotismo e das sexualidades marginalizadas tornam-se centrais – principalmente para o tipo de informação necessária para fazer políticas públicas e planos e modelagens urbanísticas.

Tendo feito estes argumentos, não acredito que a sociologia pode firmar-se no espaço do discurso queer sem a resistência por parte de alguns círculos acadêmicos. Por um lado, a utilização renovada de dados empíricos (o que as pessoas fazem, aonde e como) fará a década dos discursos da Teoria Queer pareceram pouco fundamentados (assim como este trabalho também). Mais problematicamente, uma sociologia do espaço queer também irá destacar como muitos dos processos de planejamento urbano em grande parte ainda ignoram ou desconsideram questões relativas à sexualidade (e mesmo gênero) assim como as economias políticas regionais do prazer em geral. Praticamente não há nenhum posicionamento universitário em planejamento urbano e modelagem, sobre a Terra, aonde a academia tem sido capaz de se concentrar em questões de sexualidade (e ainda poucas sobre gênero). Então uma sociologia do espaço queer seria cara, faria ondas, e seria vista como agressiva e “ruim”na nova ordem mundial da “luz do espaço queer”. Pode até ser visto como uma espécie de materialismo vulgar com críticas que rementem aquelas do materialismo histórico dos anos 70 antes do advento do pós-modernismo. Mas em resposta, podem haver alguns poucos grupos, incluindo as minorias sexuais, que realmente querem uma investigação mais rigorosa sobre o uso do espaço.

Minha resposta retórica aos obstáculos, descritos acima, na defesa de uma sociologia para o planejamento de uma teoria do espaço queer é que não há literalmente nenhum lugar mais para se ir. Existem muitas demandas por novas políticas urbanas, prioridades de planejamento, e iniciativas de modelagem. Por exemplo, muitas pessoas não tem acesso aos guetos frequentemente caros e orientados pelo masculino. As mulheres são ainda frequentemente marginalizadas através das áreas metropolitanas mesmo ao redor dos locais de expressão sexual lésbica e de sexo público em particular. Uma série de outras redes de minorias sexuais, como aquelas relacionadas aos desejos eróticos e grupos linguísticos e culturais, possuem tão pouco espaço que uma sociologia do espaço queer é rapidamente necessária para confirmar locais estratégicos nos quais elas possam ser mantidas e defendidas contra outras formas de intervenção urbana. Estes são apenas alguns dos motivos pelos quais espero que alguns de vocês aqui comecem a desenvolver mais investigações interdisciplinares nos próximos anos envolvendo a sociologia, geografia, planejamento, e quando relevante, mesmo a literatura.

Agradecimentos

Esta discussão foi financiada em 1998 pela Fundação Graham para Estudos Avançados nas Artes, sediada em Chicago, para um próximo livro intitulado “Location Conflicts” e pelo Conselho Canadense de Artes, através de subvenções “Queersville” (1996) e “Awkward Positions” (1999) para o mesmo livro bem como vários projetos relacionados.

1Bióloga e Analista Ambiental

2Mestre em Filosofia pela Universidade de Brasília

3 O termo “minorias sexuais” foi mais frequentemente usado nos anos 70, mas é um conceito chave neste livro. Para uma discussão contemporânea das relações do conceito para as sexualidades marginalizadas ver Pat Califia.1997. San Francisco: Revisiting “The city of desire”. In Queers in Space: Communities / Public Places / Sites of Resistance. Ingram, G. B., A-M. Bouthillete and Y. Retter (eds.). Seatle: Bay Press. pp.177-196. Ver pp.187-188.

4 Rosalyn Deutsche. 1996. Evictions: Art and spatial politics. Cambridge, Massachusetts: MIT Press. p.52.

5 O uso norte americano do termo “minoria” para as minorias sexuais foi seguido por Will Roscoe de um prospecto escrito por Harry Hay em 1948, e está associado com a campanha de Wallace para presidente. Harry Hay usou pela primeira vez o termo “minoria” em seu prospecto de 1948-1950 “Preliminary Concepts: INTERNATIONAL BACHELORS´ FRATERNAL ORDER FOR PEACE & SOCIAL DIGNITY” às vezes se referindo aos SOLTEIROS ANÔNIMOS em seus esforços à presidência de Wallace. (1996, Radically gay: Gay liberation in the words of its founder, Will Roscoe (ed.). Boston: Beacon Press. pp.63-75). Ver também dois dos artigos de Roscoe no mesmo volume: pp.3-14, 37-59, especialmente 43-44,5 4.

6 Jill Delaney, 1994 – 1995, Public space or publicity? a/r/c (Toronto)5: 2-4.

7 Gilbert Herdt & Andrew Boxer. 1992. Introduction: Culture, history and life course of gay men, em: Gay Culture in América; Essays from the field (Gilbert Herdt ed.) (Boston Beacon). Pp. 1 – 28. Ver a página 2 onde eles relatam a emergência da noção de homofobia ao posicionamento da crítica social que surgiu com os movimentos de libertação gay. Para uma discussão de atitudes mais arraigadas culturalmente, ver “Boom, bye, bye: Jamaican raggae and gay resistance ” de Tracey Skelton, em Mapping Desire: Geographies of sexualities, David Bell and GillValentine (eds.), London, Routledge, 264 – 283.

8 Para uma visão geral do conceito de “espaço queer” ver Manifetestos: Queer Space, New York. Storefront Art and Architecture, june, 1994. 254 p. e Queer Space. New York York. Storefront Art and Architecture (broadside), 4 grandes páginas de papel. Herbert Muschamp observou que “Espaço Queer é um termo atrativo, mas o que isso significa? Não pergunte, não diga, somos tentados a dizer” no que provavelmente é uma redução velada dos modo de vida queer à atos sexuais, Muschamp observou que “o espaço queer pode ser ***** (Herbert Muschamp, Architecture view, “designing a framework for diversity,” The New York Times, Sunday, June 19, 1994, Sunday Arts Section: 32). Enquanto o uso do “espaço” no “espaço queer” é um desenvolvimento relativamente recente, o termo “espaço queer” tem tido um extenso uso no século XX, como em Allen Ginsberg´s August 7, 1957 journal entry, “Rome – Queer Places: Flora at 5 o`clock, Brick Top. Giardino d`Europa, Via Veneto, Trastevere.” (Allen Ginsberg, 1995, Journals Mid-fifties 1954 – 1958. Gordon Ball (ed.). New York: HarperCollins. p.370).

9 Uma antiga lembrança de um espaço social homoerótico, que foi foco de repressão, foi o fechamento do Club Hellfire, em 1721 – um lugar homossexual masculino em Londres. O Club Hellfire foi originalmente atacado por uma agência não-governamental, entre 1690 – 1738, a Societies for Reformation of Manners.. (Rictor Norton. 1992, Mother Clap`s Molly House: The gay subculture in England 1700 – 1830. London: Gay Men`s Press.p.52).

10 Ver p. 339 em Carl Witman, 1972. A Gay Manifesto em Out of the Closets: Voices of Gay Liberation, Karla Jay and Allen Young (eds.). New York: Douglas. p 330 – 342. Molly McGarry and Fred Wasserman (1998. Becoming Visible: A Illustrated History of Lesbian and Gay life in Twentieth-Century América. New York: Penguin p.163) Wittman foi também o autor de um anterior “gay manifesto” nos meses anteriores o evento de Stonewall Riots em 1969.

11 Franz Fanon. 1967 (1952). Black Skins, White Masks. New York: Grove. p.183.

12 Rudi C. Bleys. 1995. The Geography of Perversion: Male-to-male sexual behaviour outside the West and the ethnographic imagination 1750 – 1918. New York: New York University Press. pp.3-4.

13 O termo “Sodoma” foi utilizado para descrever o espaço homoerótico desde 1593. Rictor Norton. 1992. Mother Clap´s Molly House: The gay subculture in England 1700 – 1830. London: Gay Men´s Press. p.20.

14 Donna J. Haraway. 1991. Simians, adn Women: The reinvention of nature. New York: Rountledge. p.157.

15 O teórico em arquitetura, Manfredo Tafuri, falou de usar a teoria para o reconhecimento das relações conflituosas e dialéticas na modelagem ambiental (1976. Architecture and Utopia: Design and capitalist development. – traduzido do italiano por Barbara Luigia La Penta). Cambridge, Massachusetts: MIT Press. pp.1-49).

16 O tratamento único mais influente que defendeu a pós-modernidade foi o livro de Donald Harvey, de 1989, The Condition of Postmodernity. An Enquiry into the Origins of Cultural Change (Cambridge, Massachusetts: Blackwell) embora nos últimos anos tenham surgido vários desafios a ela, mais notavelmente o livro de 1996 de Rosalyn Deutsche Evictions: Art and Spatial Politics (Cambridge, Massachusetts:MIT Press) com sua crítica mordaz, “Boys Town.”.

17 M. Christine Boyer. 1994. The City of Collective Memory: Its historical imagery and architectural entertainments. p 3.

18 Joseph Boone. 1996. Queer sites in modernism: Harlem / The Left Bank / Greenwich Village. Em: Geography of Identity. Patricia Yager (ed.) Ann Arbor: University of Michigan Press . pp. 243 – 272. Ver pp. 244 – 245 & Christopher Reed. 1996. Imment Domain: Queer space in the built environment. Art Journal 55(4): 64 – 70. Ver p.64 “prefiro definir historicamente o modo de vida queer como uma identidade, surgindo nos anos 80 através da confluência dos movimento relativamente separados de gays e lésbicas da década anterior, reunindo não apenas gays e lésbicas, mas todas as formas de ***** Como um fenômeno histórico seus significados podem ser mapeados e analisados.

19 Willian Simon. 1996. Postmodern sexualities. New York: Routledge. P.3.

20 Dois exemplos do período pós Stonewall inclui os tumultos do White Night de São Francisco, em maio de 1979, e o A.B. 101 demonstrations em Los Angeles (Douglas Sadownick. 1996. Sex Between Men: Na intimate history of the sex lives of gay men, postwar to present. New York: HarperCollins, pp. 140, 192).

21 Para uma crônica da emergência da Teoria Queer, muito relevante para a minha própria experiência, ver Jeffrey Escoffier. 1998. American Homo: Community and Perversity Berkeley: Univeristy of California Press. pp.173 – 185.

22 ibid. pág. 137.

23 James Polchin. 1997. Having something to wear: The landscape of identity on Christopher Street. Em: Queer Space: Communities / Public Places / Sites of Resistence. pp. 381 – 390.

24 Ingram, G. B. 1997. “Open” space as a strategic queer sites. Em Queers in Space: Communities / Public Places / Sites of Resistence. pp.95 – 125.

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Ambientalismo Queer no Processo Formativo 2009 do Centro de Saberes e Cuidados Socioambientais da Bacia do Prata

07/11/2009 at 10:08 pm (Eventos e Notícias)

LOGO Centro de Saberes

Pela primeira vez no Brasil, o tema do AMBIENTALISMO QUEER , ou Ecologias Queer – uma análise cultural-político-social que interroga as co-relações entre a organização social da SEXUALIDADE e a ECOLOGIA, será tratado formalmente nos processos formativos de educadores ambientais. Isto porque este BLOG, assim como a palestra que apresentei na Universidade Católica de Brasília, em maio deste ano, agora fazem parte do Caderno do Encontro Formativo do Círculo de Aprendizagem Permanente III (CAP III) do Centro de Saberes e Cuidados Socioambientais da Bacia do Prata, lançado no final de setembro, na UNICAMP.

O Centro de Saberes e Cuidados Socioambientais da Bacia do Prata expressa a vontade das instituições governamentais e não governamentais (do Brasil, Argentina, Bolívia, Paraguai e Uruguai) que fazem parte de um Acordo de Cooperação e que participam de um Pacto que se amplia ao longo do tempo, de desenvolver um processo dinâmico e inovador que seja produto e produtor de diversos níveis de cooperação interinstitucional, que tomaram como principais focos de suas reflexões e propostas os seguintes:

a) A água como tema integrador;
b) A bacia como território operacional;
c) O pensamento ambiental como marco conceitual da ação;
d) A educação ambiental como mobilizador social; e
e) A construção coletiva de conhecimentos, ações e organização.

Os CAPs constituem a principal forma de irradiação de saberes ambientais do Centro e são baseados em uma metodologia criada por Paulo Freire. A cada nível, é maior o número e a diversidade de participantes, aumentando a capilaridade e o alcance do processo formativo de educação ambiental na sociedade, através do efeito mandala. O CAP I, com 20 integrantes, é formado pelo Conselho Diretor, Comitê Gestor, Assessores Técnicos e Secretaria Executiva do Centro. O CAP II são gestores e técnicos, representantes de governos, da sociedade civil, da comunicação e das universidades. São 35 participantes (7 por país).

O CAP III, que terá se iniciado em toda a Bacia do Prata, tem formadores e formadoras socioambientais de instituições governamentais, da sociedade civil e de ensino. São 150 pessoas (30 por país), que serão responsáveis por comunidades de aprendizagem totalizando 4.500 pessoas, que serão formadas até o final de 2010.

Maiores informações podem ser obtidas diretamente no site: http://www.saberycuidar.org/home_pt/index.php

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A Invocação

07/11/2009 at 4:31 pm (Vídeos)

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PAISAGENS PERDIDAS E A CONTEXTUALIZAÇÃO ESPACIAL DO MODO DE VIDA QUEER

31/10/2009 at 10:49 pm (Traduções de Artigos)

Foto:  Sandra Michelli

INGRAM, Gordon Brent. Lost Landscapes and the Spatial Contextualization of Queerness. Canadian Journal UnderCurrents, maio, 4-9, 1994.

Traduzido por Sandra Michelli da Costa Gomes1

A ocupação LGBT2 em ambientes interiores e exteriores tornou-se um importante tópico na Teoria Queer3, e as questões espaciais4 representam novas fronteiras nas políticas de nossas várias comunidades. Homofobia, violência e o isolamento dos espaços públicos estão sendo enquadrados como problemas ambientais. Uma série de possibilidades para novas alianças sobre os espaços queers está emergindo. Mas é necessário primeiro formular algumas questões antes que intervenções específicas nas condições das áreas exteriores possam melhor definir e fortalecer as nossas comunidades e melhorar nossas vidas.

A homofobia é parcialmente um problema “ambiental”? As comunidades gays e lésbicas e os locais de uso queer representam recursos particularmente vulneráveis à “degradação ambiental”? A perda contínua da liberdade de expressão queer nas áreas exteriores, e o acesso confortável e seguro aos “recursos” correspondentes, tem sido uma experiência central para as lésbicas e homens gays? A construção de nossas comunidades e locais de encontro queer podem ser vistos como um tipo de ambientalismo social da mesma forma que, por exemplo, são os esforços de expansão para enfrentar e combater o “racismo ambiental”?

A fim de determinar o que perdemos, como uma base para um novo tipo de ativismo ambiental, precisamos conhecer primeiro onde estamos. A contextualização espacial do comportamento queer é sobre melhor definir aonde estamos como base para uma ação mais coerente – incluindo a reapropriação do “espaço” e do território. Um objetivo adicional desta discussão é reconsiderar o conceito de gueto gay e explorar a desguetização5 como central tanto para teoria queer como fornecendo uma base para uma autêntica arquitetura de contexto paisagístico queer.6

Este artigo explora estas questões em termos do conceito de “paisagens perdidas”: a experiência de acesso negado ou agressão, intimidação, ou a percepção de risco em relação a determinados locais devido a nossas identidades, interações e comportamentos. A noção de paisagens perdidas é complexa e diretamente relacionada com o conceito mais amplo de repartição espacial ao longo das linhas de raça e gênero7. Um quadro para analisar a repartição do espaço exterior para lésbicas e gays reflete a realidade de que a maioria de nossas comunidades experienciam uma composição dessas perdas de acesso, segurança, conforto, e liberdade de expressar os costumes de mulheres e negros – ou no mundo em desenvolvimento, os grupos indígenas e minorias culturais. O motivo principal porque uma compreensão precisa da vida, sexualidade, e espaços gays e lésbicos, demorou tanto a chegar é que ela só faz sentido como parte das investigações mais extensas das comunidades de diferença8. Para muitas lésbicas e gays, o comportamento queer compõe situações pessoais de exposição ao risco de forma dupla ou até mesmo tripla.

Um entendimento da intensidade de conexão entre o ambientalismo, ecologia radical, ecofeminismo9, e teoria queer se tornará crucial para a expansão do ativismo político na próxima década. Mas porque o ambientalismo tem sido tão fraco, então, em reconhecer o “espaço do corpo” junto com a violência sexual e a homofobia como problemas ambientais? Uma sobre-ênfase na experiência do homem branco heterossexual e a persistente homofobia dos grupos ambientalistas são apenas explicações parciais.

Além disso, a escala regional de muitos problemas ambientais pode obscurecer problemas específicos mais locais tais como:

1 – a falta de reconhecimento da natureza e estatísticas da violência anti-lésbicas e anti-gay;

2 – a dificuldade em separar a violência relacionada a orientação sexual daquela direcionada às mulheres e negros

3 – a falta de aceitação de informações orientadas ao sujeito sobre violência, abuso de ameaças e desconforto.

Esta terceira lacuna é o mais intrigante e esta sendo agora preenchida com novas descrições estruturadas das experiências de lugar chamadas de “mapeamento cognitivo10. Estes mapas mentais permitem as pessoas definirem suas experiências, incluindo seus medos, em seus próprios termos e utilizando seus vocabulários. A barreira agora está sendo quebrada, mediante a “evidência”do espaço queer – e a falta dele.

Se pedirmos para que algumas centenas de moradores de um bairro mapeiem seus seus arredores e falem sobre isso em situações em que eles se sintam confortáveis e onde suas perspectivas terão um impacto na tomada de decisão, emergirão diferentes experiências ao longo das linhas de gênero, raça, cultura, idade, mobilidade, e sexualidade. Os mapas mentais de muitos gays e algumas lésbicas mostram espaços secretos e escondidos, alguns dos quais podem ser relativamente segregados em determinados momentos. Estes lugares secretos queer foram partes importantes das vidas dos homossexuais antes da liberação gay. De fato, eles foram centrais para nossas comunidades, especialmente quando havia repressões contra bares e outros estabelecimentos gays11. Além de delinear estas ilhas fugazes de prazer e encontro, tais mapas mentais identificam nossos diversos temores relacionados a violência, que são especialmente graves em relação as mulheres em termos de sentido de risco e conforto na exploração.

Considerações sobre a organização dos espaços sociais nos leva a considerar que uma série de comunidades lésbicas e gays são marginalizadas. Mapas do espaço queer além dos limites da “decência” e do “bom gosto” podem ser bastante diferentes em relação aos locais de homossexualidade em ambientes relativamente tolerantes. Algumas vezes, os espaços queer são isolados, perigosos, ou lugares estranhos que não são pretendidos por nenhum outro grupo – pelo menos até certas horas do dia ou da noite. Existe a marginalização de ser empurrado para lugares que poucos outros grupos sociais usam ou querem, mas há também o desejo de viver no limite – para viver eternamente longe do centro dos estilos de vida e sexualidade aceitáveis. Este tipo descentralizado de paisagens queer não é necessariamente funcional ou bonito. Infelizmente, não temos um vocabulário muito rico ou compreensível para os tipos de ambientes associados com diferentes formas de marginalização, homofobia pelo design, e escolhas conscientes contra os padrões morais.

Homofobia, Violência e a Perda de Acesso às Paisagens

A negação da possibilidade de acesso a determinados espaços e certos níveis de liberdade de expressão, conforto e segurança, é uma parte central da experiência queer? Quais são essas perdas reais e como elas são executadas? Quantas dessas perdas foram internalizadas e irão persistir em nossas vidas indeterminadamente? O que se segue é uma lista de alguns dos mais importantes processos que atuam contra os espaços abertos queer: homofobia e misoginia, repressão policial, privação de facto do espaço aberto público, design e gerenciamento dos locais de forma a desestimular o contato com o ambiente paisagístico queer, falta de representação relevante, e o desestímulo cumulativo para engajar abertamente “fora das portas”.

Uma das formas mais efetivas de negar o acesso, segurança, conforto, ou liberdade de expressão é através da ameaça da violência. Não importa muito qual a fonte particular da ameaça. A dinâmica a barreira geográfica e sua crítica severa teve um tremendo impacto nos nossos mapas mentais, aonde escolhemos ir e onde morar, e a formação subseqüente de nossas comunidades e bairros. A repressão policial tem um efeito similar.

A privatização de fato dos espaços abertos públicos12, o qual aumentou nos anos 1980 em muitos dos países desenvolvidos, empurrou um conjunto de populações locais para fora de locais estratégicos. A polícia e a violência têm sido fatores como, também, o design e gestão de decisões que tornam determinados locais inacessíveis ou desconfortáveis. Para alguns locais e alguns grupos tem havido uma forma particular de homofobia por design que funciona desencorajando o contato através de projetos paisagísticos homofóbicos e decisões de gestão dos parques.

Muitos espaços abertos públicos têm pouca representação da experiência e imaginário queer. Existem escassas representações, cartazes, estátuas, monumentos, e arte ao ar livre por, e explicitamente sobre, os aspectos de nossas vidas – mesmo em bairros com grandes comunidades gays. Existem e têm sido restrições em termos de moralidade, como também a arte pública tem sido freqüentemente tratada com aspereza em locais importantes. Muitos locais queer, especialmente para minorias raciais e culturais, são relativamente marcados até o ponto em que apenas alguns membros dessas comunidades sabe como encontrá-los. Tudo isto pode levar a um cumulativo desestímulo para engajar abertamente “fora das portas”.

Desguetização” como um Ambientalismo de “Gueto”

A palavra gueto13, especialmente para as comunidades lésbicas e gays, tem sido visto como algo cada vez mais controverso. Por um lado, muitas lésbicas, gays, e bissexuais não vivem nos clássicos guetos. Para muitas minorias invisíveis, o termo não tem o mesmo significado que aquele utilizado pelas minorias visíveis. Alguns de nós sentem-se empurrados para certos bairros, mas estes “guetos” podem ficar caros e exclusivos e assim como muitas pessoas irão escolher novas bordas e margens. O projeto de desguetização, o qual tem sido considerado como um aspecto central da nova política queer, é sobre conscientemente mover a nossa presença, os nossos locais de encontro e a nossa representação até as zonas mais homofóbicas e de alto risco.

Os homens gays e lésbicas mais assertivos sexualmente, desde o período Vitoriano, têm sido essencialmente foras da lei. Mas a natureza desta constante “reconstrução” e da “lenda” da homossexualidade fora-da-lei (ilícita)14 e como tiramos do armário as paisagens varia de acordo com a natureza de toda a comunidade e as configurações dos locais. Uma questão é a linha entre o que é aceitável como público e o que é aceitável como privado. Os limites e as demarcações entre o público e o privado através das esferas dos modos de vida gay e lesbiano, tem sido particularmente provisório e temporário em resposta a moda, prosperidade e repressão.

Stonewall Riots transformou nossas noções de lugares queer para sempre: limites foram estabelecidos e as linhas foram desenhadas e esta informação foi representada e replicada. Os motins marcaram uma nova coesão, talvez até mesmo uma espécie de militarização que tem sido sobre a contestação agressiva e reapropriação dos locais públicos mesmo que apenas pelos períodos curtos. A qualidade ritual, e de fato o poder, destes episódios, destas demonstrações, de grupos tão culturalmente e emocionalmente “guetizados” e marginalizados não deveria ser subestimado. Mas tem havido mais do que apenas a afirmação temporária de controle sobre os pontos e os territórios. As experiências, regras, e os vocabulários que têm sido utilizados, transformam a forma como nos enxergamos, nossas comunidades, e nossos direitos inerentes.

Locais de sexualidade, conspiração e lembrança têm sido particularmente controversos no seio de nossas comunidades e na sociedade em geral. Mas agora em virtude de cada bairro na América do Norte e na Europa, com consideráveis comunidades gays e lésbicas, houve pelo menos uma grande controvérsia sobre a segurança, outra sobre sexualidade e, ainda, outra sobre a concepção, simbolismo, interpretação, e a entrega da informação escultural e pictórica para locais públicos estratégicos. Uma arte que explicitamente explora sensibilidades queer e espaços abertos começou a emergir desde a última década.15

Ambientalismo Queer do Corpo ao Corpo Político à Biosfera

Se as noções de “homossexual” e “lésbica” foram amplamente construídas no século 19,16 numa época de crescente exploração dos recursos naturais e certamente de espaços, que são limitados a algumas ligações entre o patriarcado, homofobia e a apropriação e empobrecimento dos ecossistemas e de culturas locais. Argumenta-se que os espaços queer tem sido associados com os extremos de distribuição de espaço e recursos. Conforme aumenta o ritmo de destruição ecológica, as comodidades, os espaços habitáveis, e de suporte a vida se tornam mais escassos e caros. Os nichos paras as lésbicas e homens gays tornam-se cada vez mais temporários, incorporando formas intensificadas de deslocamento.17 Infelizmente, movimentos promissores como o ecofeminismo quase não consideram questões espaciais.

Uma teoria de espaços queer e não queer poderia lançar as bases para a descrição dos riscos de nossa permanência, segurança e conforto em termos de escopo e escala, por um lado, e oportunidades de expressão coletiva por outro. Dentro do continuum, locais queer podem ser identificados como agrupados através de vários extremos. Embora possa parecer muito reducionista, um quadro para analisar as ligações entre comportamentos coletivos, as dimensões de gênero e sexualidade da cultura, e as relações ecológicas, é importante reconhecer que uma dos mais promissores desenvolvimentos da cultura queer tem sido os novos e cada vez mais criativos usos do espaço, tanto interno como externo, para encontros, para resistência, para cerimônias, e para a redefinição e fortalecimento de alianças. Os anos 1990 são de articulação espacial de experiências coletivas. Quais seriam então algumas estratégias para a reapropriação e a criação de espaços queer?

Existem crescentes esforços organizados para conter a violência homofóbica e misógina, incluindo a presença de grupos comunitários, educação da polícia, e design de locais mais seguros. Houve alguns ganhos modestos em conter a repressão policial através da pressão de vários grupos. Mas ainda é necessário estratégias mais assertivas para conter a violência e afirmar nossa presença.

As estratégias de classe média dos anos 1960 e 1970, que enfatizavam a aquisição de espaços privados pelos indivíduos, grupos e terras separatistas não foram muito efetivas na criação de novos espaços queer. A luta contra a privatização efetiva do espaço aberto público deve primeiro envolver a identificação de áreas que poderiam e deveriam apoiar uma série de atividades e, em seguida, a afirmação da legitimidade da presença queer. Beijos e outras carícias em shoppings suburbanos tiveram um impacto muito leve. As concepções e decisões de gestão local que podem se demonstrar homofóbicas, devendo ser documentadas e confrontadas. Mais importante ainda, devem ser exploradas estratégias para a alocação de espaços queer permanentes. De novo, o objetivo não é criar nenhum tipo de segregacionismo ou exclusão de heterossexuais e sim fazer destes locais mais que “gay friendly”.

Parte de algumas destas estratégias de manifestação em locais públicos podem ser a adoção de sinalizações. A afirmação de imagens queer em espaços públicos é um projeto em expansão em organizações tais como o Queer Nation e projetos mais específicos como aqueles do DAM (Dyke Action Machine!) que de forma divertida retrabalha e subverte o imaginário masculino ambíguo da Calvin Klein e Mark-Mark.18 Para conter as formas internalizadas de guetização, uma variedade de esforços para ressaltar a presença queer, algumas vezes cerimônias19, e para fazer esforços simbólicos para mostrar que precisam ser formados investimentos de longo prazo.

Questões na Teoria e Ativismo para o Espaço Queer

Um dos fatores que impediram um ativismo ambiental queer em torno da questão espacial, tem a ver com várias questões não resolvidas. A seguir estão algumas questões especulativas para um ativismo e teoria experiencial dos queers sobre os espaços:

1 – Em que consiste os “espaços queer” e qual a utilidade (ou obstrução) deste conceito para diferentes grupos – particularmente para lésbicas e homens gays negros?

2 – Os bairros queer são de fato refúgios da homofobia ou são apenas lugares onde existem muitas lésbicas e gays?

3 – Quais os pontos de similaridade e divergência entre a experiência lesbiana e gay e o uso do espaço aberto?

4 – Quais os potenciais de uso de uma teoria dos queers no espaço aberto em termos de identidade, comunidade, segurança, comunicação, e prazer?

5 – Como tem mudado as formas de uso dos locais históricos (queer) ao longo do tempo e quais são as tendências que reivindicam e refazem estes lugares?

6 – Existem grandes diferenças nos espaços queer entre o Sul e o Norte e entre os países em desenvolvimento e os desenvolvidos e, em particular, entre áreas e grupos com carência habitacional?

Conclusões: Design e Construção de Refúgios Queer

Não há muito com o que se preocupar com espaços queer se pensarmos que seremos mal sucedidos em proteger o planeta, a biodiversidade, e o suporte da vida. Mas para compreender nossas posições queer na paisagem, dentro desta crise mais ampla, esta oferece oportunidades poderosas. Certamente lésbicas e gays assumidos continuarão a ter dificuldades para contribuir com e assumir papéis de liderança em alianças envolvendo as questões ambientais até que consigamos melhor determinar a nossa própria situação em relação à paisagem – até que cada um tenha um melhor sentido sobre o contexto espacial de nossas próprias comunidades.

Mais diferenças se tornarão evidentes em nossas comunidades quando tivermos uma noção mais clara de onde estamos de fato, sobre o que temos acesso e o que perdemos. Muitos de nós teremos que se confrontar com o acúmulo de medo, frustração, e mesmo complacência, e a realidade dos espaços abertos aonde a presença e expressão queer tem sido cuidadosamente controlada, quando não removida. Formas coletivas de experiência, tais como as demonstrações políticas e culturais, continuarão a ter um papel chave na intensificação da reapropriação do que deveriam ser locais queer.

Assim, como bases mais autênticas para trabalhar em coalizões com os heterossexuais em torno de questões ambientais mais amplas, há uma grande agenda para a arquitetura dos espaços queer. Programado para uma variedade farta de experiências queer, a expressão consensual é o novo projeto de arquitetura de espaços queer que poucos de nós, até então, tem explorado. Por enquanto, é importante identificar as nossas próprias paisagens perdidas e até que tenhamos estabelecido mais lugares em que possamos amar, não seremos capazes de adicionar energias e criatividade para também lutar pelo término da destruição de muitos lugares, formas de vida, e a ampla comunidade humana que agora esta em risco.

___________________

1Bióloga e analista ambiental

2 Pode ser que a única coisa que lésbicas, gays, e bissexuais tenham em comum no uso do espaço derive da homofobia e de desejos similares. As implicações dos indivíduos transgêneros e outras minorias sexuais para uma teoria dos queers no espaço não foram consideradas nesta discussão.

3 “Queer” é utilizado como um sinônimo abreviado para “lésbicas, gays, bissexuais”e sugere um surgimento dos movimentos lésbico e gay iniciais na sua construção implícita e indefinida de comunidade da diferença “descentralizada”, o posicionamento de uma nova postura de oposição ver Duggan, 1991.

4 Os quadros analíticos e de pesquisa mais relevantes por considerarem o espaço queer ao ar livre foram realizados por S. Adler, e J. Brenner. “Gênero e Espaço: Lésbicas e Gays na Cidade”, no International Journal for Urnan and Regional Research 16 (‘992), pp. 24-34, L. Knopp, “Sexualidade e a Dinâmica Espacial do Capitalismo”, Environment and Planning D: Society and Space 10(1992), pp. 651-669, e B. Weightman, “Comentário: Rumo a uma Geografia da Comunidade Gay”, Journal of Cultural Geography 1(1981), pp. 106-112.

5 Para explorar este projeto de “desguetização”, ver L. Duggan, “Making it perfectly queer”, Socialist Review 22:1(1991), pp. 11-31.

6 No artigo original é utilizado o termo “Queerscape”. Queerscape não é apenas uma paisagem, como baseado na raiz flamenga “schap” (termo alemão) com queers, mas que também seja descentralizada, em termos de “apoiar” as minorias sexuais embora não necessariamente marginalizadas ou guetizadas.

7 L. K. Weisman, Discrimination by Design: A feminist critique of the man-made environment, “Chicago: University of Illinois Press, 1992), o qual na página 2 lembra que “Os espaços, como a linguagem, são socialmente construídos: e como a sintaxe da linguagem, o regime espacial de nossas construções e comunidades refletem e reforçam a natureza das relações de gênero, raça, classe da sociedade. Tanto o uso da linguagem, como do espaço contribuem para o poder de alguns grupos sobre outros e a manutenção das desigualdades humanas”.

8 Para novas investigações sobre este quadro da diferença social e espacial ver G. G. Spivak, In Other Worlds: Essay in cultural politics, “New York, Routledge, 1987); J. Terry, “Theorizing deviant historiography”, differences: A jornal of feminist cultural studies 3:2(1991), pp.54-74, e C. Owens, “Outlaws: Gay men in feminism”, em Beyond Recognition: Representation, power, and culture, S. Bryson, B. Krugger, L. Tillman e J. Weinstock (editores), pp.218-235, (Berkekey: University of California Press, 1992).

9 S. Griffim, “Split culture”, pp.7-17 e Y. King, “The Ecology of feminism and the feminism of ecology”, pp.18-28 em Healing the Wounds: The promisse of ecofeminism, J. Plant (editores), (Toronto: Between the lines, 1989).

10 Eric Estuar Reyes, “Queer Spaces, The Space of Lesbian and Gay Men of Color in Los Angeles”, pp.91-112, uma tese apresentada como parte dos requisitos para o grau de mestre em Artes e Planejamento Urbano, University of California, Los Angeles, 1993.

11 Uma discussão sobre o papel do espaço aberto nos períodos de repressão homofóbica é feita por John Grube do pre-Stonewall Toronto onde os locais foram para fazer amizades e trocar informações para sexo. Ver J. Grube em “Queens and flaming virgins: Towards a sense of gay community”, Rites (Toronto) 2:9 (1986), pp.14-17.

12 Mike Davis, “Fotress L. A.”, em City of Quartz: Excavating the Future in Los Angeles, (New York, Vintage Books), pp.221-264.

13 Carl Witman observou no início dos anos 70 que “São Francisco é um campo de refugiados para os homossexuais. Fugimos para cá vindo de todos os lugares e, como refugiados de outros cantos, viemos não porque aqui seja tão maravilhoso, mas porque lá era muito ruim… formamos um gueto, de auto-proteção. Isto aqui é um gueto ao invés de um território livre porque ainda pertence a eles…” do A Gay Manifesto, reimpresso em In Out of the Closets: Voices of Gay Liberation, K. Jay e A. Young (editores), (New York: Douglas Book/World Publishing/Times Mirror, 1972) pp.330-345.

14 Ver Craig Owens, 1992, pp.218.

15 Para um exemplo de arte ambiental queer, veja “Utopian Prospects” de Mark Robbins em Angles of Incidence (New York: Princeton University Press, 1992), pp.38-41.

16 Michel Foucault, The History of Sexuality: Vol 1: An Introduction. (New York: Random House, 1978).

17 Paul Virilo, (traduzido por M. Polizzotti), Speed and Politics: An Essay on Drommology, (New York: Columbia University, 1986).

18 Veja o cartaz com “você ama uma dyke em sua vida? Por “dyke action machine” nas ruas da cidade de Nova Iorque em 1993.

19 Um dos exemplos mais documentados de uma cerimônia (espacial) queer foi o movimento de conscientização dos soropositivos (AIDS) em locais de poder dos EUA e a lembrança da passeata de março de 1993 em Washington.

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As cidades perdidas da Amazônia

29/10/2009 at 4:10 pm (Outros Textos)

xingu

A floresta tropical amazônica não é tão selvagem quanto parece

por Michael J. Heckenberger

Quando o Brasil criou o Parque Indígena do Xingu em 1961, a reserva estava longe da civilização moderna, aninhada bem no limite ao sul da enorme floresta amazônica. Em 1992, na primeira vez em que fui morar com os cuicuro, uma das principais tribos indígenas da reserva, as fronteiras do parque ainda ficavam dentro da mata densa, pouco mais que linhas sobre um mapa. Hoje o parque está cercado de retalhos de terras cultivadas, com as fronteiras frequentemente delimitadas por um muro de árvores. Para muitos forasteiros, essa barreira de torres verdes é um portal como os enormes portões do Parque Jurássico, separando o presente: o dinâmico mundo moderno de áreas cultivadas com soja, sistemas de irrigação e enormes caminhões de carga; do passado: um mundo atemporal da Natureza e de sociedade primordiais.

Muito antes de se tornar o palco central na crise mundial do meio ambiente como a gigantesca joia verde da ecologia global, a Amazônia mantinha um lugar especial no imaginário ocidental. A mera menção de seu nome evoca imagens de selva repleta de vegetação respingando água, de vida silvestre misteriosa, colorida e com frequência perigosa, de um entremeado de rios com infinitos meandros e de tribos da Idade da Pedra. Para os ocidentais, os povos da Amazônia são sociedades extremamente simples, pequenas tribos que mal sobrevivem com o que a Natureza lhes oferece. Têm conhecimento complexo sobre o mundo natural, mas lhes faltam os atributos da civilização: o governo centralizado, os agrupamentos urbanos e a produção econômica além da subsistência. Em 1690, John Locke proclamou as famosas palavras: “No início todo o mundo era a América”. Mais de três séculos depois, a Amazônia ainda arrebata o imaginário popular como a Natureza em sua forma mais pura, e como lar de povos aborígines que, nas palavras de Sean Woods, editor da revista Rolling Stone, em outubro de 2007, preservam “um estilo de vida inalterado desde o primórdio dos tempos”.

A aparência pode ser enganosa. Escondidos sob as copas das árvores da floresta estão os resquícios de uma complexa sociedade pré-colombiana. Trabalhando com os cuicuro, escavei uma rede de cidades, aldeias e estradas ancestrais que já sustentou uma população talvez 20 vezes maior em tamanho que a atual. Áreas enormes de floresta cobriam os povoados antigos, seus jardins, campos cultivados e pomares que caíram em desuso quando as epidemias trazidas pelos exploradores e colonizadores europeus dizimaram as populações nativas. A rica biodiversidade da região refl ete a intervenção humana do passado. Ao desenvolverem uma variedade de técnicas de uso da terra, de enriquecimento do solo e de longos ciclos de rotatividade de culturas, os ancestrais dos cuicuro proliferaram na Amazônia, apesar de seu solo natural infértil. Suas conquistas poderiam atestar esforços para reconciliar as metas ambientais e de desenvolvimento dessa região e de outras partes da Amazônia.

A reportagem completa esta AQUI

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Antologia das Dimensões Queer

28/10/2009 at 1:34 am (Vídeos)

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Antologia do Lobo Queer

28/10/2009 at 12:43 am (Vídeos)

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